Lembranças de uma livraria Saraiva

12/02/2021

Com certa frequência, busco textos sobre as “melhores livrarias da cidade”. Normalmente, me deparo com as mesmas listas de sempre. Em minha última busca, entretanto, encontrei uma lista nova. Ela continha os mesmos locais das outras, no entanto, dessa vez, algumas fotografias a ilustravam. Uma dessas fotos me trouxe ternas recordações.

Eis a imagem:

Foto de Gilberto Torres, no Foursquare (2013)

Esta era a livraria Saraiva de minha cidade em seu antigo local. Hoje, ela ainda está no mesmo shopping, mas em outro espaço, maior e mais moderno. Foi aí, porém, na antiga loja, que passei alguns bons momentos.

Mais à direita da fotografia, atrás da seção de infanto-juvenis, ficavam os expositores de jogos para PC e alguns softwares. Foi onde comprei Starcraft 2 e Age of Empires 3, mesmo sem saber se meu computador rodaria os dois. Felizmente consegui jogá-los. Na configuração mínima, mas consegui. Por ali eu também imaginava que tipo de indivíduo comprava antivírus numa livraria. Havia vários à mostra. Era um tempo diferente.

À esquerda, os livros de história e geografia. Muitos títulos me chamavam a atenção. Por um período, cogitei cursar História, ideia abandonada no decorrer da vida. Logo atrás desses livros, uma grande seção de CDs e DVDs. Era possível ouvir algumas faixas dos álbuns musicais. Imagina que loucura, naquela época ainda dividíamos fones de ouvido públicos com centenas de outras pessoas. E duvido que eles sequer fossem higienizados. CDs ainda eram objetos caros e desejados pelos apreciadores de músicas. Os serviços de streaming ainda davam seus primeiros e tímidos passos.

Havia o Café, ali de onde a foto foi tirada. Mas, eu nunca experimentei nenhumas das bebidas servidas por ali. Com o preço de dois cappuccinos eu saia de lá com algum livro, então, prioridades… Próximo aos caixas, ficava a seção de papelaria. Infinitos tipos de canetas e lápis, mais do que eu poderia usar em toda uma vida. Além de todas as outras bugigangas relacionadas, como borrachas, papéis, cadernos, agendas.

Mas, de todas as coisas, havia uma em especial que me fazia retornar ali com certa frequência. Ficava logo na entrada da loja, do lado direito. Uma estante e uma mesa toda dedicada às histórias em quadrinhos. Era pura magia. Foi ali que comecei a descobrir a existência de obras que iam além dos mangás e gibis da Turma da Mônica que eu via em bancas de revistas. Álbuns de capa dura, de autores que eu desconhecia, com títulos chamativos, artes lindas e histórias destinadas ao público adulto.

A cada visita, uma novidade. Era uma época de efervescência cultural em minha vida. Um mundo novo de diferentes formas artísticas abertas a minha frente. E eu estava totalmente imerso nessas possibilidades. Com o tempo, as histórias em quadrinhos foram perdendo espaço no meu cotidiano, mas meu gosto por livros (e também joguinhos) fez com que minhas visitas continuassem por um longo tempo.

E essa Saraiva fez parte desse período da minha vida.

Porém, as visitas foram ficando mais espaçadas. A loja mudou de lugar e tornou-se menos charmosa. Ficou padronizada. O espaço de quadrinhos ficou diminuto, perdeu o encanto. Os livros eram os mesmos de outras livrarias (e mais caros). Descobri outros lugares para alimentar meu vício. A internet ficou acessível. Em algum momento, minha relação com o local acabou. Mas, esses momentos continuarão guardados.

E a você que registrou essa imagem, obrigado pelas recordações proporcionadas.

* Descobri, posteriormente, que essa imagem foi publicada originalmente no Foursquare. Há muitas outras fotografias desse período por lá. Nostalgia pura.

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